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Câncer, fadiga e exercício físico! Qual a relação?

sleeping-1159279_640Uma pergunta:

Ao ler a chamada, o seu primeiro pensamento está relacionado com a capacidade aeróbia ou a resistência de força?

 

A fadiga está diretamente relacionada ao tratamento do câncer e acomete de 75 a 99% dos pacientes. Em adição, a fadiga é o sintoma que apresenta maior tempo de duração (inclusive em indivíduos em fase de remissão da doença), aspecto que interfere na adesão ao tratamento e, evidentemente, influencia negativamente nos hábitos diários.

Diversos fatores podem contribuir para o surgimento da fadiga no câncer e, dentre esses, a inflamação crônica parece exercer grande influência para esse sintoma. Estudos observaram que pacientes oncológicos com inflamação crônica apresentam maior contagem de leucócitos, linfócitos T, aumento na produção de TNF-a e IL-6 quando comparados a indivíduos (também com a doença, ou em remissão) sem sintomas de fadiga.

 

Nesse sentido, fica uma pergunta:

“A prática adequada de exercícios físicos não poderia ser benéfica, também, para minimizar a fadiga?”

 

Como?

“Pelo potencial efeito anti-inflamatório do exercício!”

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Sabemos que um dos benefícios do exercício crônico (“adequadamente periodizado”) está relacionado com o aumento na produção de citocinas anti-inflamatórias, como a IL-4 e a IL-10, bem como na diminuição de citocinas pró-inflamatórias, a IL-1, IL-6 e TNF-α.

Dentre uma série de efeitos benéficos atribuídos a inclusão de um paciente com câncer em um programa de exercícios físicos (“não estou falando de um protocolo generalizado, ou sem controle de cargas”), a modulação do padrão inflamatório pode (possibilidade!) contribuir para a diminuição de sintomas de fadiga!

Estudos observaram que um programa de exercícios físicos para pacientes com câncer (ou em fase de remissão), pode gerar diminuição na concentração de IL-6, IL-1β, TNF-a, Proteína C-Reativa, e aumento de IL-4 e IL-10.

Nesse sentido, vejamos algumas considerações relacionadas ao padrão inflamatório:

– A modulação do padrão inflamatório pode, mais uma vez, beneficiar uma série de respostas fisiológicas e, consequentemente, o estado de saúde.

– A fadiga é um sintoma que pode ser diminuído através de ajustes no padrão inflamatório.

– A prescrição do exercício, dentre outros fatores, deve considerar o padrão inflamatório.

 

Fabio Ornellas

Pesquisador no Laboratório de Genética do Exercício – UNIFESP

Referências Bibliográficas

Referências Bibliográficas

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