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Contradição: País tropical e deficiência de vitamina D

O país com grande disponibilidade de sol apresenta o problema mundial da deficiência de vitamina D. Os baixos níveis encontrados na população estão ocasionando problemas sérios e o mais comum está diretamente relacionado aos ossos: osteoporose, uma fragilidade óssea, em grande parte, ligada a deficiência de vitamina D.

Ao receber os raios ultravioleta, uma enzima da pele chamada 7-dehidrocolesterol, transforma os raios em calcidiol, uma forma de vitamina D, que será armazenado no fígado e, sempre que houver necessidade de aumentar níveis desta vitamina, o rim é acionado e forma o calcitriol, a forma ativa da vitamina, que será colocada na corrente sanguínea.

A vitamina D exerce muitas funções, porém a mais conhecida é a de auxiliar na absorção do cálcio no lúmen intestinal. Entre as principais ações está o aumento das proteínas transportadoras do cálcio, aumento do transporte ativo e, além disso, facilita a passagem do cálcio pela membrana. Portanto, engana-se quem acredita que problemas ósseos são resolvidos apenas com o consumo de leite e derivados, vegetais verdes escuros ou peixes ricos em cálcio.

Não é só no Brasil, o The Journal of Steroid Biochemistry and Molecular Biology em 2010, publicou uma pesquisa que se tornou uma epidemia global e, diante disso, no Brasil o medicamento (vitamina D) será distribuído gratuitamente no SUS. Apesar de já ser fornecido, o medicamento está sempre associado a sais de cálcio o que, para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), é um erro, pois a maior parte dos pacientes não necessita de suplementação de cálcio e sim de vitamina D isolada.

Alguns grupos são mais suscetíveis, como mulheres grávidas, crianças e idosos.Então, vá para fora! Tome sol, nossa riqueza, nossa maior fonte.

Abaixo o documento na íntegra da SBEM:

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM vem solicitar à V. Ex.a uma reunião para discutir a inclusão da Vitamina D3 na lista de medicamentos fornecidos pelo SUS, que possibilitará a correção da já comprovada deficiência deste nutriente, altamente prevalente nos grandes centros urbanos do Brasil.

Em função das mudanças sociais e comportamentais ocorridas no último século, vivenciamos atualmente uma drástica redução nos períodos de exposição solar, o principal mecanismo pelo qual adquirimos a Vitamina D. Isto fez com que um problema irrelevante em nosso meio até meados do século passado se tornasse altamente prevalente nos dias de hoje, com sérias consequências para a saúde de nossa população.

Valores séricos inadequados de Vitamina D foram encontrados em 85% dos idosos moradores na cidade de São Paulo, em mais de 90% dos idosos institucionalizados e em cerca de 50% da população de jovens saudáveis, números que se agravam à medida que caminhamos para o sul do país. Esta deficiência tem consequências já bastante conhecidas sobre o sistema musculoesquelético, levando a maior fragilidade óssea e fraturas. Uma meta-análise sobre o assunto constatou que a suplementação com doses superiores à 700 UI de Vitamina D/dia em população idosa conseguiu reduzir o risco de fraturas de quadril em 26% e de fraturas não-vertebrais em 23%. Doses inferiores não foram efetivas. Portanto, a adequação das concentrações de Vitamina D é obrigatória na prevenção das fraturas e do tratamento da osteoporose, com excelente relação de custo/benefício.

O SUS já fornece 400 UI Vitamina D, mas apenas em associação com sais de Cálcio, o que é uma desvantagem. A maioria dos pacientes não precisa de suplementação de cálcio por obtê-lo em quantidade suficiente na dieta, mas necessitam, entretanto, quantidades maiores de Vitamina D para corrigir sua deficiência. Esta correção exige doses de ataque de 7000 UI/dia por períodos de 2 a 3 meses, o que inviabiliza o uso destas associações.

Portanto, faz-se urgente o fornecimento de Vitamina D3 isolada em apresentações versáteis, que possibilitem a titulação da dose para diferentes situações clínicas.

Os benefícios da Vitamina D sobre o sistema musculoesquelético são reconhecidos há quase um século. Entretanto, sua inadequação crônica vem sendo associada a outras situações clínicas indesejáveis, como alguns tipos de câncer, a doenças autoimunes, distúrbios metabólicos, entre outros. Portanto, sua disponibilização pelo SUS será muito bem-vinda, pois possibilitará oferecer, com esta medida de baixo custo, mais saúde à população.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia coloca-se à disposição do Ministério da Saúde para auxiliar na construção de diretrizes para a utilização de Vitamina D pelo Sistema Único de Saúde.

Fonte: SBEM – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Podemos também encontrar fontes de vitamina D nos alimentos, abaixo uma tabela nutricional. Além de tomar sol por 10 minutos todos os dias, sem o protetor solar ou muitas roupas, consuma alimentos fonte de vitamina D:

vitamina

 

 

 

 

 

 

O cuidado deve se dar, pois esses alimentos são ricos em gordura, e se seus níveis de colesterol encontram-se fora do aceitável, tenha bom senso no consumo e nas quantidades.

 

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