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Farinha da casca do maracujá e sua ação no diabetes mellitus tipo 02

Fonte: bolsademulher (reprodução)
Fonte: bolsademulher (reprodução)

A Síndrome Metabólica (SM) tem recebido atenção dos setores da saúde não apenas pelo grande e crescente número de indivíduos que apresentam essa condição, mas também por sua manifestação clínico-laboratorial.

Caracterizada pela reunião de vários fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV), dentre eles, obesidade central, hipertrigliceridemia, hipercolesterolemia, hipertensão arterial, sendo a resistência à insulina a base comum dessas doenças.

Além da terapia medicamentosa atual, o uso de produtos naturais, como fibras dietéticas encontradas, principalmente, em cereais, leguminosas e frutas tem demonstrado ser uma alternativa na redução dos fatores de riscos para as DCV e na melhora da ação da insulina na utilização da glicose pelos diversos tecidos do corpo.

Um estudo avaliou o efeito da farinha da casca do maracujá amarelo (Passiflora edulis f. flavicarpa Deg.) rica em fibra solúvel (pectina) nos componentes da SM em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2.

Realizou-se um ensaio clínico de fase II com 43 voluntários portadores de SM, com idade entre 57 e 73 anos, de ambos os gêneros. Todos eram usuários do sistema de saúde da prefeitura do município de Campina Grande/PB e do Programa de Atenção Farmacêutica desenvolvido pela Universidade Estadual da Paraíba. Durante 60 dias, os participantes diariamente fizeram uso de 30g da farinha da casca do maracujá amarelo. Em todos os pacientes do estudo foram determinados antes e após a suplementação com a farinha: níveis de glicose e insulina de jejum, índice HOMA, hemoglobina glicada, frações lipídicas, além da antropometria e pressão arterial.

Fonte: patao (reprodução)
Fonte: patao (reprodução)

O efeito da farinha foi analisado através da diferença encontrada após a suplementação por análise do teste t de Student pareado, comparando-se as diferenças na população total e entre os gêneros aos 30 e 60 dias de uso do alimento com propriedade de saúde. A média da idade dos pacientes foi de 65,39 ± 8,41, sendo 65,6% do gênero feminino. Antes da suplementação, a maioria dos diabéticos não estava conseguindo manter seus níveis de glicose compensados, fato ocorrido, possivelmente, pela falta da prática de atividade física e dieta controlada.

Após a suplementação, ocorreu uma diferença significante (p<0,05) nos valores de Circunferência Abdominal, Pressão Arterial Sistólica e Diastólica, glicemia, hemoglobina glicada e triglicerídeos. Em relação ao colesterol total e colesterol LDL, não foram observadas alterações estatisticamente significantes, enquanto o colesterol HDL apresentou aumento em suas concentrações de maneira significativa. Embora uma redução significante do HOMA RI no grupo suplementado tenha sido verificada, não houve alteração nos valores de insulina para o gênero feminino. O HOMA Beta significativamente mostrou aumento em seus valores no grupo estudado.

Os resultados mostraram que a suplementação utilizada diminuiu tanto a resistência à insulina quanto a maioria dos componentes da SM em pacientes diabéticos tipo 2, sugerindo uma ação positiva no controle da glicemia como terapia complementar dos tratamentos convencionais.

Adriana Fanaro Oliveira
Nutricionista – CRN3 17166

Fonte: http://tede.biblioteca.ufpb.br:8080/handle/tede/6843

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