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Polêmica: Glúten X CRN

O glúten é o nutriente da moda, muitas discussões acerca do seu consumo e muitas prescrições incorretas estão levando milhares de pessoas a se isentar deste nutriente sem a real necessidade. O Conselho Regional de Nutrição se pronunciou a respeito, mas antes vamos entender o que a literatura diz sobre este misterioso nutriente: GLÚTEN.

A doença celíaca é caracterizada por uma disfunção nos linfócitos T, induzida pelo glúten que, em geral, acomete indivíduos com predisposição genética; quando detectada, a prescrição é a isenção total de alimentos que contenham o nutriente, como o trigo, centeio, cevada, malte, aveia e cereais em geral.  Caso não haja a exclusão, o paciente apresenta sinais e sintomas extremamente desconfortáveis, como cólicas intestinais, diarreias, gases e outros distúrbios do trato digestório; em casos mais graves há aparecimento da osteoporose e doenças malignas no enterócito.

Esta doença é um problema de saúde pública, já que atinge milhares de pessoas no mundo inteiro. Devido a alta prevalência, alguns estudos afirmam que a doença celíaca está mais presente em mulheres do que em homens e na cor branca. Podemos diagnosticar a doença celíaca por exame clínico, anamnese detalhada, marcadores sanguíneos e biópsia do trato digestório.

Nos últimos anos a retirada do glúten vem sendo praticada no consultório por milhares de profissionais que “prometem” aos seus pacientes emagrecimentos rápidos e eficazes, porém, fica clara a falta de embasamento. Esse tipo de conduta tende a aumentar o efeito sanfona, pois, inicialmente, a retirada do glúten fará com que o indivíduo elimine peso, já que suas fontes são, preferencialmente, fontes de carboidratos, apesar do glúten fazer parte do grupo de proteínas. Quando retiramos o carboidrato da dieta alimentar reduzimos consideravelmente a quantidade de água no organismo, sua absorção necessita de muitas moléculas de água, ou seja, há redução bem acima do esperado de quilos perdidos, causando a famosa euforia no paciente que esperava um tratamento milagroso.

O que podemos pensar é que talvez a famosa alergia ao glúten pode estar ligada aos  excessos no consumindo, não pelo glúten em si. Comprovada com a pesquisa da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), em 2011, que revelou que cada brasileiro consumiu em média 60 quilos de trigo, na prática são 27 pãezinhos do tipo francês e além disso, a quantidade de frutas caiu muito, segundo o IBGE.

Diante de tanta polêmica o Conselho Regional de Nutricionistas, da região 3, decidiu se pronunciar e aqui está, na íntegra, o pronunciamento do CRN3:

Gluten
Estamos agora resguardados pelo Conselho que nos rege. E você, o que acha?

 Nutricionista Responsável
Portal Meu Nutricionista.

Fonte:

Andreoli, C. S. et al. Avaliação nutricional e consume alimentar de pacientes com doença celíaca com e sem transgressão alimentar. Rev. Nutr., Campinas, 26(3):301-311, maio/jun., 2013

Araújo, H. M. C. et al. Doença celíaca, hábitos e práticas alimentares e qualidade de vida. Rev. Nutr., Campinas, 23(3):467-474, maio/jun., 2010

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